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Despedida!

Já tem um mês que pedi conta do serviço.
A cada dia que passava gostava mais de trabalhar ali, amava estar com as crianças.

Mas porquê saí então?
A vida da gente é engraçada! A gente passa por algumas coisas na vida para poder compreender e entender mais o futuro. Cada decisão tomada é importante.
Digo isso por que a decisão de sair de lá foi muito importante e fiquei por muito tempo pensando se deveria mesmo ou não.
O que mais me prendia lá era:
Em primeiro lugar as crianças. Amo cuidar de crianças e dá uma satisfação muito grande fazer diferença cada dia na vida delas. Fazer diferença não somente em relação à terapia, mas também em ser a diferença. Eu tentava a todo custo ganhar a atenção e a simpatia delas e sempre conseguia. Sempre tinha aquele que ficam com medo de profissionais de jaleco branco, que só de nos ver chegar na porta tremem de medo. Eu ficava muito satisfeita por conseguir afastar o medo dessas crianças e fazer com que elas esquecesse o que estavam fazendo ali. Retirar um sorrido delas naquela situação é muito gratificante.
Segundo: Lutei tanto para conseguir um emprego, estudei, conquistei meu lugar ali. Pois é. Trabalhar em um hospital de grande porte e conseguir a experiencia que consegui foi um grande prazer.
Terceiro: Ali aprendi a ser a profissional que sou. Ganhei experiencia em diversas especialidades da pediatria, vi meu potencial.
Quarto: Conheci tanta gente de bom coração. Tanto colegas, como superiores, mães e doutores.

Então, listei o que me fazia levantar todos os dias do meu plantão de madrugada e ir pra lá, mas o que me fez sair?

Bom, temos que saber entrar e sair dos lugares, Nos últimos tempos eu estava todos os dias indo embora para minha casa chorando de dor, dor nas costas, nas pernas, no quadril. O meu dia de folga era só pra ficar na cama e me dopando de remédio.

Atestado? Nossa, muitos. Eu já não estava confortável com essa situação, estava sentindo que eu era um peso para minhas colegas que estavam esperando que eu fosse trabalhar, mas eu desviava o caminho para o médico. Por fim, somente injeção estava aliviando as dores.

Além disso, algumas coisas internas estavam me abalando, como escala, injustiças, coisas que em todo serviço tem que não preciso expor, né. Mas meu pensamento já estava sendo um dos piores e estava me prejudicando psicologicamente.

Trabalhei seis anos em um outro emprego que não vem ao caso, em que, me prejudicou tanto que até hoje sofro as consequências, como síndrome de pânico. É, quem vê a pessoa não sabe a história que ela carrega, então depois de sofrer tanto eu jurei que não iria sofrer mais em outro emprego e que não me deixaria ficar prejudicada psicologicamente.

Em conclusão: Eu precisava de um tempo para mim, para ajeitar minha vida. Por muito tempo vi minha vida parada sem objetivo, não poderia deixar isso acontecer novamente.

Meu maior sonho era ter uma profissão e posso dizer que hoje eu tenho.
Agora meu maior sonho é fazer uma mastectomia, ou plastica nos seios para retirar mais da metade (tomara), então para conseguir devo lutar para alcançar este sonho.

Fiquei calada sobre este assunto por muito tempo, pois ainda estava digerindo tudo que aconteceu em pouco tempo, Nunca chorei tanto na minha vida por ter tomado uma decisão, mas sei que foi o melhor para mim, Fiquei em luto por muito tempo.

O coração fica pequenininho toda vez que lembro das crianças que deixei. Não que eu fosse importante para elas, mas porque elas eram importante para mim. Sem saber, elas me deixavam muito feliz e com muita vontade de viver. Cada lembrança, cada sorriso ficou guardado na minha memória.

Pra mim foi tão difícil que em um mês longe de lá, já fui visitar quatro vezes.Todas as vezes meu coração esmagado pela dor da saudade.

Um episódio que nunca vou esquecer: Estava eu deprimida, nada me fazia feliz. Uma neném me pediu um abraço, quando dei, na verdade recebei. Recebi um abraço de um anjo, senti que estava sendo abraçada por Deus. Naquele momento toda a angustia que me perseguia por muitas semanas desapareceu e me tornei a pessoa mais feliz naquele hospital.


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